Meu avô já dizia, “quem planta tijolo, colhe patrimônio”. O Brasil testemunhou um dos grandes casos de hiperinflação no mundo. Por quase uma década seguida, os preços de bens e serviços por aqui registravam alta de pelo menos 100% todo ano, sendo que, em março de 1990, a inflação foi de incríveis 82% em um único mês, com o valor do ano completo de 1990 passando dos 2000%.

Sim, quem comprou um bem por 100 cruzeiros em 01/01/1990 viu seu preço disparar para 2100 cruzeiros em 01/01/1991. Sei que não foi e nem é a realidade de diversas gerações. Afinal, estamos falando de algo há mais de 30 anos atrás. Mas não quer dizer que não continue sendo motivo de alerta.

Naquela época, o que fazer com o dinheiro, que a cada dia perdia mais e mais valor? Buscar patrimônio que, naquela época, e hoje, tinha quase como sinônimo os imóveis. Afinal, o que gera a inflação, na maioria dos casos? Mais dinheiro em circulação do que deveria, fazendo com que a demanda cresça mais rápido que a oferta. Se opto por bens com oferta limitada, o que acontece com seu valor? Sobe e se protege do aumento dos preços, porque o seu valor também sobe.

A lógica é parecida com a do ouro. Não entendeu? Se todo o ouro extraído pela humanidade na história fosse juntado, daria apenas 163 mil toneladas, o que faria caber num prédio com 20 metros de altura, largura e comprimento. O ouro protege da inflação porque sua oferta é extremamente limitada.Essa também é a lógica que chamam o bitcoin de ouro digital, por sua oferta limitada.

Mas, o que imóveis tem, que o ouro nem o bitcoin ainda não têm? Renda! Não é tão trivial hoje ter rendas ligadas a ouro e bitcoin. Seria, se tivesse um sistema mais organizado de empréstimos de ouro, o que talvez praticamente tenha acabado no mercantilismo e, mais recentemente, no padrão ouro, ou com bitcoin.

Mas no imóvel a renda não só cresce como também é reajustada por índices de inflação, mais comumente o IGP-M, que é maior inclusive na média do que o mais famoso, o IPCA. “Quem planta tijolo, colhe patrimônio” pode ser uma frase do meu avô, mas acredito ter bastante adequação com a realidade.





Rian Tavares é economista com mais de 12 anos de mercado financeiro, empresário e influenciador com mais de 500 mil seguidores nas redes sociais (@falecomrian).