A Taxa Selic é a taxa básica de juros, mas muitos não sabem o porquê. É simples, é quanto o banco paga para pegar dinheiro emprestado quando, em 1 dia, mais pessoas sacam recursos do que aportam em um determinado banco.

Dado que o trabalho do banco é emprestar dinheiro, é mais normal do que se imagina. Os dois mercados interbancários onde os bancos fazem essas transações é o SELIC (Sistema Especial de liquidação e Custódia) e o DI (Depósito Interfinanceiro), por isso que as duas taxas principais no Brasil são as taxas Selic e CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) que, curiosamente, andam muito próximas.

Na última quarta (19/03), o Banco Central, autoridade responsável por conduzir a política monetária brasileira, definiu em reunião da sua cúpula, o COPOM (Comitê de Política Monetária), que a taxa Selic vai subir mais 1 ponto percentual, chegando ao maior patamar em 8 anos. Sim, 14,25% ao ano, o que se traduz em uma taxa de 1,11% ao mês.

Quer dizer que, para o investidor, emprestar dinheiro para o governo, que não tem risco de crédito, rende, a cada R$1 milhão, R$11 mil. Bastante, não é? Para quê, então, investir em qualquer outra coisa senão títulos financeiros de renda fixa? Será que os imóveis perderam a atratividade? Pelo contrário. Leia até o final que você vai entender.

Pensa comigo. Já são mais de 12 anos de mercado financeiro e, com certeza, eu posso te dizer que o mercado vive de ciclos recheados de exageros. Ora as pessoas estão otimistas demais, ora pessimistas demais. O bom investidor aproveita oportunidades nessas falhas de racionalidade da grande massa de investidores.

Quando a taxa de juros sobe, na média, os investidores costumam fugir do risco. O que isso significa? Fugir de qualquer investimento que tenha uma renda variável, como ações na bolsa de valores ou imóveis. E aí entra a lei inexorável da economia, a lei da demanda e oferta. Quando a demanda por um bem diminui de uma hora para a outra, tudo fica mais constante. Concorda que o seu preço está momentaneamente mais baixo? Muitas vezes, no mercado, é esse o momento que se vai às compras, dado que, como o mercado é cíclico e a taxa de juros não fica alta para sempre.

Historicamente falando, quando a taxa de juros caiu de 14,25% para 4% entre o começo de 2016 e janeiro de 2020 (antes da pandemia), a bolsa brasileira, medida pelo Ibovespa, praticamente triplicou de valor. O IFIX, referência de fundos imobiliários, mais do que dobrou de valor.

Podemos usar o IFIX como proxy para o mercado de imóveis diretamente, ou seja, se os fundos imobiliários sobem, faz sentido dizer que é um reflexo do mercado imobiliário tradicional? Eu diria que sim.

Mas por que aplicar em imóveis ao invés de fundos imobiliários? Acredito que os dois podem compor um portfólio de investimentos, mas os imóveis tem uma atratividade adicional. Os grandes fundos imobiliários, muitas vezes, não vão comprar imóveis de R$100 mil, R$ 1 milhão ou até mais. É mais comum comprar shoppings, galpões logísticos e lajes corporativas. Lembra da lei da oferta e demanda? Se eles não olham para esses tipos de imóveis, concorda que a demanda é menor do que se eles o fizessem?

Sem falar da oportunidade de participar de lançamentos imobiliários, encontrar oportunidades pontuais, como em leilões ou outras. Isso só o investimento direto em imóveis vai te dar. Eu sugeriria, além disso, se você tiver interesse em montar um portfólio de imóveis para investimentos: crie uma holding patrimonial. O imposto de renda cai drasticamente se comparado a investir diretamente na pessoa física.





Rian Tavares é economista com mais de 12 anos de mercado financeiro, empresário e influenciador com mais de 500 mil seguidores nas redes sociais (@falecomrian).