1) Setor da construção avalia estratégias para driblar alta dos juros

Pressionado pela expectativa de alta nos juros ao longo de 2025, o setor imobiliário inicia o ano apreensivo com as indefinições econômicas do governo federal e pretende atuar nos bastidores junto à gestão Lula para estancar uma eventual sangria nos segmentos habitacionais de média renda. Representantes do setor ouvidos pela Folha temem que o segmento sofra impacto das taxas aplicadas nos financiamentos habitacionais. São três os temas que o setor avalia como fundamentais para garantir um respiro à indústria de construção enquanto o governo tenta achar uma solução para a questão fiscal e para a inflação: as reduções no percentual dos depósitos compulsórios da caderneta de poupança, a diminuição do prazo de vencimento das LCIs (letra de crédito imobiliário) e o fim do saque-aniversário com dinheiro do FGTS.

2) Preço do aluguel aumenta seis vezes mais do que a inflação em janeiro

O preço do aluguel no Brasil voltou a chamar atenção em janeiro de 2025, com um aumento que superou em seis vezes a inflação oficial, pressionando ainda mais o bolso dos inquilinos e destacando disparidades regionais no mercado imobiliário. O mercado imobiliário brasileiro começa 2025 com um cenário desafiador para inquilinos. De acordo com o índice FipeZAP Locação Residencial, que monitora os preço do aluguel em 36 cidades do país, houve um aumento de 0,96% nos valores em janeiro. Esse crescimento superou em seis vezes a inflação oficial medida pelo IPCA (0,16%) e também ficou acima do IGP-M (0,27%), índice que reflete a variação dos preços na economia.

3) "O primeiro trimestre é o Natal do mercado imobiliário", diz executiva de marketing do QuintoAndar

Com dados que indicam uma busca por imóveis 35% maior no primeiro trimestre do ano na plataforma, resultando em uma alta de 20% no número de contratos de aluguel assinados e 18% nos contratos de compra e venda, o QuintoAndar está ampliando investimentos em diversas frentes para atrair consumidores que planejam uma mudança em 2025.

4) Minha Casa, Minha Vida: meta para 2026 foi superada em 60%

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, relançado pelo governo federal em 2023, fechou o ano de 2024 com avanços expressivos em contratações. Com a meta de viabilizar 2 milhões de moradias até o final de 2026, o programa já superou 1,26 milhão de unidades contratadas – ultrapassando 60% da meta total. O ritmo das entregas segue mais modesto, com 43 mil moradias concluídas desde a retomada, enquanto 38,9 mil unidades tiveram obras reiniciadas após paralisações anteriores.

5) Redução das famílias e custo puxam demanda por imóveis menores

A demanda por imóveis menores tem crescido gradualmente ao longo dos anos, movimento influenciado pela mudança do perfil das famílias, que estão menores e querem viver em bairros mais centrais ou próximos do trabalho e de transporte. O alto custo do aluguel também tem sido decisivo na hora de realizar o sonho da casa própria. A avaliação de muitas famílias tem sido de que é melhor pagar prestação de um imóvel menor, que ofereça alguns serviços e boa localização, que morar com mais espaço, mas refém do reajuste do aluguel, que tem ficado acima do IPCA.

6) Barueri (SP) tem o aluguel mais caro do país; veja ranking e valores

A cidade de Barueri (SP) lidera o ranking das cidades com o maior aluguel do país, com preço médio de locação de R$ 62,43/m². O município acumula uma alta no preço da locação de 10,91% nos últimos 12 meses, com valorização de 1,15% somente em janeiro. É o que mostram os dados do Índice FipeZAP de Locação Residencial, divulgados nesta quinta-feira (13). Entre as 22 capitais monitoradas, a cidade de São Paulo continua com o maior preço médio, com custo de R$ 58,49/m², seguida por Recife (R$ 56,06/m²), Belém (R$ 55,32/m²) e Florianópolis (R$ 55,03/m²).

7) Por que o crédito imobiliário não cairá 20% neste ano, segundo a ABRAINC

No fim de janeiro, a Abecip, que reúne as entidades que operam o crédito imobiliário no Brasil, estimou que a piora do cenário econômico levará a uma queda de 15% a 20% no volume de financiamentos bancados por recursos da poupança. Com isso, o montante recuaria dos 187 bilhões de reais registrados no ano passado para cerca de 155 bilhões de reais. A previsão, contudo, não é compartilhada por todo o setor. “Não acredito em uma queda tão abrupta”, afirma Luiz França, presidente da Abrainc, associação que representa as incorporadoras brasileiras. “As pessoas continuam com a intenção de comprar imóveis.“ França também lembra que, mesmo que a Selic termine 2024 na casa dos 15%, como prevê a maioria dos analistas de mercado, os juros cobrados no crédito imobiliário não chegarão a tanto. Primeiro, porque a principal fonte de recursos do setor é a poupança, que rende pouco mais de 6% ao ano.

8) Bancos esperam deterioração da oferta de crédito em 2025, especialmente para a casa própria

As instituições financeiras estão mais pessimistas com as condições de oferta de crédito este ano, sobretudo para o financiamento da casa própria, mostra a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, divulgada nesta quinta-feira, 13, pelo Banco Central. Os bancos consultados destacaram que as condições de oferta de crédito se deterioraram de forma generalizada no quarto trimestre de 2024. Para o primeiro trimestre deste ano, espera-se um agravamento dessa situação no crédito para famílias e empresas. As instituições financeiras destacaram que esse cenário mais negativo deve ser mais forte no financiamento habitacional.

9) Corretores não sabem atender investidores, afirma imobiliarista

Para além da moradia, os empreendimentos imobiliários são também formas de investimento. A sócia e gestora do time de lançamentos da Patrimônio Inteligência Imobiliária, Ana Paula Santana, explica que 90% dos clientes que buscam lançamentos são investidores. Ela ressalta que, mesmo que o objetivo da compra seja para moradia própria, esse cliente quer fazer um bom negócio do ponto de vista econômico. Trata-se de uma compra mais racional e planejada, não tão baseada em aspectos emocionais. De acordo com Ana Paula, esse público tem uma dor muito grande, de não encontrar um profissional que apresente informações estratégicas para justificar o negócio. “O investidor não quer fazer apenas uma compra, ele precisa de um plano completo, que explique o retorno sobre o investimento. E isso os corretores não sabem fazer”, afirma.

10) O Lego de Roberto Justus no mercado imobiliário da Flórida

Ao invés de tijolos e betoneiras, aço e paredes prontas na traseira do caminhão rumo ao canteiro de obras. Saem os pedreiros, entram os montadores. É nesse Lego tecnológico que o empresário Roberto Justus tem dedicado boa parte de seu tempo. Maior acionista e CEO da Steelcorp, que fabrica casas modulares, Justus acaba de levar a companhia para o mercado americano – e já vai bater mais de R$ 1 bilhão em faturamento.