Desde que o Plano Diretor de Goiânia (PDG) sancionado em 2022 entrou em vigor, o mercado imobiliário foi acrescido de um aumento expressivo no valor dos imóveis. A valorização se deu por fatores externos, que impactam diretamente a economia, no entanto, o novo PDG foi um ponto crucial de influência nessa alta.

À AutImob, o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo, afirmou que a valorização dos imóveis, a partir do novo PDG, será em média de 20% ao ano. Como fator preponderante para essa variação, ele destacou as novas especificações de uso de área, que geraram limitação no aproveitamento dos lotes, e as regras de altura dos novos empreendimentos, a depender da região em que são construídos.

“Além de alterar as áreas de adensamento, restringindo os Setores Bueno, Oeste e o Marista, ele abriu novas áreas de adensamento, como o Jardim América, o Setor Serrinha, Bela Vista. E também trouxe uma limitação de aproveitamento da área do terreno”, destacou Felipe.

Conforme as especificações do novo PDG, que terão validade até 2032, os novos edifícios tenderão a ser de 25 a 30% mais baixos, além do índice de aproveitamento ser limitado de 5 até 7,5 vezes em relação ao terreno, dependendo se é uma região de desaceleração ou de adensamento. Considerando as regras, o mercado já nota uma redução de 25% ou mais na quantidade de unidades nos novos empreendimentos lançados.

Felipe Melazzo explicou qual a influência direta do Plano Diretor nos preços dos imóveis lançados após sua sanção. “Com essa limitação e a menor quantidade de unidades sendo construídas num empreendimento onde se podia fazer mais unidades no Plano Diretor antigo, e com o preço das áreas dos terrenos não tendo reduzido o seu preço, hoje temos um custo de construção para aquisição da área ainda alto, podendo construir ali 25%, 30% a menos do que você edificava no Plano Diretor anterior. Então isso traz uma consequência lógica de aumento do preço dos imóveis”, analisou o presidente da Ademi-GO.

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Melazzo reitera que o cliente final já sente o impacto disso no bolso. “Todos esses empreendimentos que estão sendo lançados recentemente, a grande maioria deles, que foram aprovados no Plano Diretor novo, ou seja, a partir de setembro de 2022, que foi quando ele entrou em vigor, já estão com essa regra, e esse é um dos motivos, tendo em vista o aumento do preço do metro quadrado dos imóveis de Goiânia”, pontuou.

Entretanto, o presidente da Ademi-GO ressalta que o Plano Diretor é somente um dos fatores de elevação dos preços. Ao longo dos próximos anos, a tendência de valorização será impactada por diversos fatores, como o aumento do custo de construção civil - da mão de obra e dos materiais - o aumento da taxa Selic, além dos reflexos da Reforma Tributária, aprovada no final do ano passado, que aumentará também a carga tributária para o setor.