Os impactos do avanço da taxa Selic têm afetado diretamente o mercado imobiliário no Brasil, é o que mostra o índice FipeZap, principal indicador do setor. O levantamento revela que os preços dos aluguéis aumentaram 12,92% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro. A taxa do IGP-M acumulou alta de 8,44%, já o IPCA foi de 5,06%, ou seja, o valor do aluguel foi mais do que o dobro da inflação.

O custo elevado do financiamento dificultou a compra de imóveis e com isso, impulsionou o preço do aluguel. Na capital paulista, por exemplo, o metro quadrado (m²) de um imóvel residencial para aluguel está avaliado em R$59,19, com alta acumulada de 12% nos últimos 12 meses. São Paulo fica atrás apenas de Barueri, na região metropolitana, que lidera o ranking dos aluguéis mais caros do país. O preço médio na cidade é distorcido pelos imóveis de Alphaville, região nobre e altamente valorizada. Entre os bairros mais caros da capital, destacam-se Itaim Bibi e Pinheiros, onde o metro quadrado custa R$91,70 e R$90,90, respectivamente, registrando altas de 3,5% e 9,1% em um ano.

Goiânia registrou um aumento significativo no valor médio dos aluguéis, que subiu 9,12%. De acordo com o Índice FipeZAP, O valor médio do aluguel na capital goiana foi de R$ 39,53 por metro quadrado, o que, para um apartamento de 50 metros quadrados, representa um valor mensal de aproximadamente R$ 1.976,50 — cerca de R$ 165,50 a mais do que em 2023.

Este aumento em Goiânia reflete a tendência de alta observada em diversas cidades brasileiras, com o preço médio do aluguel residencial subindo, em média, 13,5% no país. A cidade goiana, no entanto, se destaca com um crescimento mais modesto em comparação a outras capitais. Embora ainda tenha registrado um aumento acima da inflação, Goiânia está longe de liderar o ranking de altas, que foi dominado por cidades como Salvador (33,07%), Campo Grande (26,55%) e Porto Alegre (26,33%).

O aumento no preço dos aluguéis em Goiânia está diretamente relacionado ao fortalecimento da economia brasileira, particularmente no setor de empregos. Com a taxa de desemprego atingindo 6,1% no trimestre encerrado em novembro de 2024, o Brasil experimenta a menor taxa de desocupação desde o início da série histórica, em 2012.

Enquanto inquilinos enfrentam aumentos expressivos, investidores têm visto no mercado de locação uma grande oportunidade de rentabilidade crescente. Cidades como Belém-PA (8,41% ao ano), Santos-SP (8,37% ao ano) e São Luís-MA (8,01% ao ano) apresentam as maiores rentabilidades com locação. Em São Paulo, a rentabilidade de imóveis para aluguel é de 6,16% ao ano, somada a uma valorização imobiliária média de 8,17%. Diante disso, a reforma tributária, prevista para entrar em vigor em 2028, vai trazer novas regras de tributação para os grandes proprietários de imóveis. Quem tiver rendimentos anuais superiores a R$240 mil com locação será tributado de maneira diferenciada. Atualmente, esse público paga apenas imposto de renda, e os custos de manutenção e administração dos imóveis.